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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Dia longo

e o caqui na esteira do supermercado.

o senhor ao meu lado o empurra,
para ter espaço para suas compras.
a senhorita no caixa a pega e pesa,
e me passa pela mente:

duas mãos já tocaram o caqui.
com a minha, são três.
deduzo uma quarta, que o equilibrou sobre os demais caquis
(um pouco mais verdes e, por isso, deixados lá).
é muito provável que uma outra mão tenha colhido o caqui.
e imagino que não tenha sido a mesma que o trouxe desde a árvore
até o supermercado.

Seis mãos tocaram o caqui, numa hipótese bem razoável.
Provavelmente subestimada.
E quantos lugares teriam tocado essas 6 mãos, antes de tocar o caqui?
E quantas mãos, dedudas mãos,
teriam tocado os lugares que as tais 6 mãos tinham tocado antes do caqui?


e me perco no infinito...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

é bom amar


Hoje eu percebi
que não tê-la… tem seu próprio sabor.
Essa expectativa, essa… vibração…
Tensão, tesão.

E cada milésimo de segundo
que nossos olhos conversam
já ativa esse fogo,
vindo sei lá de que chakra,
essa momentânea irracionalidade, esse ímpeto instintivo
de apertar nossos corpos com suavidade
docemente morder seu pescoço
e sentir esse mind-fuckable cheiro de flores
presente da sua pele pros meus sentidos…
sabor, cor, cheiro, textura… como pode?!

beijar sua boca, beijar seu corpo
penetrar seu corpo
virar um
uno com a existência
o eu com o outro
alquimizados em puro amor
como se fosse simples assim
como se fosse fácil voltar a única realidade
a meditação em movimento…

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Gente Robotizada

Tudo aprendido nas escolas
faculdades, colégios,
mesmo em casa, em família,
são truques e automatismos
pra te tornar apto
de morar, conviver e agradar
pessoas vazias, cheias de
truques e automatismos.

O que a sociedade oferece
não sacia.

sábado, 13 de novembro de 2010

O que vê o olho de Shiva?

Sob a língua
mílimetros quadrados de papel.
Entre o papel
uma passagem de ida
e, felizmente, de volta
rumo a insanidade.

Papel com o papel de endoidar,
papel com desenho de deus Hindu.
Papel que revela meu papel na obra...

Em meio a todos
o eu.
O eu defronte o eu,
um eu, de bilhões...

Pequenez, pequenez,
enlouquecedora pequenez.
Que importa eu?
Um mero detalhe,
um verso da poesia da vida.

Sei que a poesia é bela,
o chá amarelado me mostrou.
Eu acho...
Mas como é difícil apreciar a obra
quando sou tão fascinado
por esse pequenino verso
que vejo no espelho...

Oh, eu, eu, eu
quando deixarás de ser?
Oh impaciência, oh crença no futuro,
oh medo e expectativa...
Quando não mais serão!?

Quando, quando a solidão suprema
deixará de me apavorar?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A mais bela


Hoje, que triste chorei
ao ver minha plena
incapacidade
de ser
verdadeiramente
grato
por qualquer pessoa

qualquer pessoa.

Ainda hoje, alegre chorei
ao ver a bela história
que investaste pra ti.
Ou teria sido eu
o inventor da história?

Talvez nem eu
nem você
nem nenhum personagem
desta belíssima história
que se chama
vida
.
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